Síndrome de Asperger
Síndrome de Asperger (SA),
também conhecida como Transtorno de Asperger ou simplesmente Asperger é uma
condição psicológica do espectro autista caracterizada por dificuldades
significativas na interação social e comunicação não-verbal, além de padrões de
comportamento repetitivos e interesses restritos. Difere de outros transtornos
do espectro autista pelo desenvolvimento da linguagem e cognição. Embora não
seja requerido para o diagnóstico, ser fisicamente desajeitado e ter um atípico
(peculiar ou esquisito) uso da linguagem são características frequentemente
citadas pelos portadores da síndrome.
A síndrome foi nomeada em
homenagem a Hans Asperger, pediatra austríaco que em 1944 estudou e descreveu
crianças nas quais, em seus cotidianos apresentavam falta de habilidades na
linguagem não verbal, demonstravam limitada empatia por seus pares e eram
fisicamente desajeitadas. A moderna concepção da síndrome de Asperger surgiu em
19815 e passou por um período de popularização, tornando-se um padrão diagnóstico
no começo dos anos 1990. Muitas questões e controvérsias permanecem acerca de
seus aspectos. Questiona-se sua distinção com o autismo de alta funcionalidade;
em parte por causa disso, sua predominância não é fundamentalmente estabelecida.
A causa exata da síndrome é
desconhecida. Embora pesquisas sugiram uma possibilidade de bases genéticas, não
há causa genética conhecida e técnicas de mapeamento cerebral não identificaram
resultados claros e consisos. Há vários tipos de tratamento e sua efetividade é
limitada. Os recursos médicos procuram atenuar os sintomas e melhorar as
habilidades. A principal delas é a terapia comportamental em déficits
específicos, tais como dificuldades de comunicação, rotinas obsessivas e/ou
repetitivas e movimentos desajeitados. Muitas crianças melhoram conforme
caminham para a idade adulta, mas dificuldades sociais e de comunicação podem
persistir. Alguns pesquisadores e portadores da síndrome defendem uma mudança
de postura em relação à síndrome no sentido de tratá-la como uma diferença, ao
invés de uma inabilidade que deve ser tratada ou curada.
Classificação
A linha tênue que separa a
Síndrome de Asperger e o Autismo de alta funcionalidade (AAF) é incerta. O
transtorno do espectro autista é, até certo ponto, um artefato de como o
autismo foi descoberto e pode não refletir a verdadeira natureza do espectro;
problemas metodológicos tem envolvido a síndrome enquanto um diagnóstico válido
desde o começo. Na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de
Desordens Mentais (DSM-V), publicado em maio de 2013, a síndrome de Asperger,
enquanto um diagnóstico separado, foi eliminada e encaixada dentro do espectro
autista. Assim como o diagnóstico da síndrome, a mudança é controversa e a SA
não foi removida do Catálogo Internacional de Doenças (CID-10).
A Organização Mundial da
Saúde (OMS) define a Síndrome de Asperger como um dos transtornos do espectro
autista ou desordens do transtorno global do desenvolvimento, as quais são um
espectro de condições psicológicas que se caracterizam por anormalidades de
interação social e comunicação que englobam o funcionamento do indivíduo e por
restritos e repetitivos comportamentos e interesses. Como outras desordens do
desenvolvimento psicológico, o Transtorno do Espectro Autista começa na
infância ou ainda antes, tem um andamento estável sem remissões ou recaídas e
apresenta melhoras que resultam da maturação de vários sistemas do cérebro. Tal
síndrome, por sua vez, é um subconjunto do fenótipo do autismo mais amplo, que
descreve pessoas que podem não ter autismo, mas possuem traços assemelhados a
ele, tais como déficits sociais.
Das quatro formas de
Desordens Do Espectro Autista, o autismo é a mais parecida com a Síndrome de
Asperger em sinais e prováveis causas, mas seu diagnóstico requer comunicação
prejudicada e permite atrasos no desenvolvimento cognitivo; a Síndrome de Rett
e o Transtorno desintegrativo da infância compartilham vários sinais com o
autismo, mas podem ter causas não relacionadas; e o Transtorno global do
desenvolvimento sem outra especificação é diagnosticado quando os critérios
para desordens mais específicas são insatisfatórios.
Características

Interação
social
A dificuldade em responder
socialmente através da empatia possui um impacto significativo sobre a vida
social de pessoas com a síndrome de Asperger. Os indivíduos com SA demonstram
inabilidade em características básicas da interação social, como a formação de
amizades, ou até mesmo motivações para certas atividades, que inclui o
compartilhamento de seus temas de interesse. Assim, também normalmente não há
reciprocidade social e emocional (suas ações parecem mecânicas), além da
deficiência em interpretar comportamentos não verbais, como o contato visual,
expressão facial, e apresentando problemas com a postura e gestos em geral.
Dessa forma, indivíduos com
SA podem fazer acepção de pessoas involuntariamente, mas não no mesmo nível de
outros casos de autismo; até certo ponto conseguem envolver-se coletivamente.
Quando falam de seus assuntos de interesse, o discurso é normalmente unilateral
e prolixo. Mas, para portadores, é praticamente impossível notar que o
interlocutor está desinteressado, se deseja mudar de tema ou terminar a
interação. Este comportamento desajustadamente social é muitas vezes considerado
como excêntrico, porém ativo. Com isso, tal falha pode ser erroneamente
interpretada como descaso e desinteresse do portador em reagir corretamente às
situações sociais. No entanto, nem todos os indivíduos Asperger conseguem
conversar com todos. Muitos podem até mesmo ter mutismo seletivo, conseguindo
conversar apenas com pessoas específicas. Ainda, podem escolher conversar
apenas com pessoas que gostam.
A cognição das crianças com
a síndrome, muitas vezes lhes permitem articular as regras sociais como se fossem
experimentos de laboratório, no qual, teoricamente podem descrever as emoções
das pessoas; no entanto, são majoritariamente incapazes de aplicar seus
conceitos na vida cotidiana. Assim, analisam e aplicam suas observações de
interação social em comportamentais rígidos, de forma excêntrica, como um
contato visual forçado e estático, resultando em uma aparência rígida ou
ingênua. O desejo de se ter companhia na infância pode ser distorcido devido à
falhas na interação social.
A hipótese de que pessoas
com SA têm predisposição para comportamentos violentos ou criminosos foi
investigada, mas não possui nenhuma comprovação. Muitas ocorrências evidenciam
que normalmente as crianças com Asperger são vítimas ao invés de algozes. Um
estudo, publicado em 2008 constatou que há um número enorme de criminosos
violentos com transtornos psiquiátricos relacionados à síndrome, como o
Transtorno esquizoafetivo.
Comportamentos
repetitivos e restritos
Indivíduos com Síndrome de
Asperger geralmente possuem comportamentos, interesses e atividades restritas e
repetitivas, por vezes focadas de forma intensa e anormal. Além disso, rotinas
inflexíveis, movimentos estereotipados e repetitivos, ou preocupação exacerbada
com certos objetos são algumas das características.
A obsessão por áreas
específicas do conhecimento é uma das características mais marcantes da SA.
Tais pessoas geralmente se informam e possuem leitura profunda de assuntos nos
quais se interessam, tais como dados meteorológicos ou nomes de personalidades
notórias, sem necessariamente ter uma verdadeira compreensão do tópico geral.
Por exemplo, uma criança pode memorizar modelos de câmeras enquanto pouco se
importa com fotografia. Este comportamento é comum aos 5 e 6 anos. Embora seus
focos mudam de vez em quando, normalmente parecem bizarros e pelo foco
exagerado, dominam tanto o assunto que causam a curiosidade da família. Há
vezes em que os interesses restritos de crianças com Asperger passam
desapercebidos pelos pais.
A coordenação motora
desajeitada, com movimentos estereotipados são uma parte essencial do
diagnóstico de SA e outros transtornos do espectro autista. Incluem os
movimentos das mãos, como bater ou estralar, e movimentos complexos que envolvem
outras partes do corpo. São tipicamente repetidos com rajadas, enquanto o olhar
é mais espontâneo do que os tiques, que são geralmente mais rápidos, com menos
ritmo e simetria.
De acordo com o teste de
diagnóstico fornecido pela Adult Asperger Assessment (AAA), o desinteresse em
ficção e a preferência à não ficção é comum entre os adultos com SA.
Fala
e linguagem
Embora os indivíduos com
Asperger não apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala, seu discurso
carece de adaptações significativas, pois sua aquisição e uso da linguagem é
geralmente atípica. As anormalidades incluem verbosidade, transições bruscas,
interpretações literais e má compreensão da nuance, uso de metáforas nas quais
apenas o emissor compreende, os déficits de percepção auditiva, pedantismo
extremo, discurso idiossincrático e/ou formal, e excentricidade na sonoridade,
afinação, entonação, prosódia, e ritmo. A ecolalia é uma característica
encontrada em alguns portadores de SA.
Três aspectos nos padrões de
comunicação são de interesse clínico: prosódia pobre, discurso circunstancial e
tangencial, e notável verbosidade. Apesar da inflexão e entonação ser menos
rígida ou monótona do que no autismo clássico, as pessoas com SA têm, em alguns
casos uma gama limitada de entonação: a fala pode ser extremamente rápida,
irregular ou alta. Sua fala pode transmitir incoerência; e seu método de
discurso muitas vezes é uma espécie de monólogo sobre temas que não há espaço
para comentários do interlocutor, e em alguns momentos pensamentos pessoais não
são suprimidos. Portanto, tais indivíduos podem não conseguir perceber se o
ouvinte está interessado ou envolvido na conversa. A conclusão do discurso pode
nunca acontecer, e a compreensão do receptor acerca do assunto é rara.
As crianças com SA podem ter
um vocabulário extraordinariamente complexo numa idade jovem e informalmente
serem chamados de "pequenos professores", mas possuem dificuldade em
compreender o sentido figurado e interpretar tudo de forma literal. Assim,
mostram ter fraquezas particulares em áreas da linguagem não literal como o
humor, ironia, provocação e sarcasmo. Embora geralmente compreendem a base
cognitiva do humor, não parecem entender sua origem para rirem com os outros.
Apesar da apreciação de humor aparentemente prejudicada, habilidades na área em
alguns portadores são exceções que desafiam os estudos acerca do autismo.
Coordenação
motora e percepção sensorial
Indivíduos com síndrome de
Asperger podem ter sintomas ou sinais que são independentes do diagnóstico que
possuem, mas tais características podem afetar o indivíduo ou até mesmo a família.
Estes incluem diferenças na forma de percepção e problemas com a coordenação
motora, sono, e emoções.
Muitos aspies possuem uma
ótima audição e percepção visual. As crianças portadoras geralmente percebem
diferentes padrões sendo modificados o tempo todo. Normalmente, isso é de
domínio específico e envolve a processamento neurológico minucioso. Por outro
lado, em comparação com os autistas de alto funcionamento, os indivíduos com SA
possuem déficits em algumas tarefas que envolvem a percepção visual-espacial,
percepção auditiva relacionada à grande concentração de pessoas, ou memória
eidética. Muitos deles relatam outras habilidades sensoriais, experiências e
percepções incomuns. Por outro lado, podem ser mais sensíveis ou insensíveis ao
som, luz e outros estímulos, também encontrados em outros transtornos globais
do desenvolvimento, sem exclusividade para a Asperger.
Os primeiros relatos de Hans
Asperger e outros tipos de diagnóstico incluem descrições de imperícia física.
Crianças com SA podem ser atrasadas na aquisição de habilidades que exigem
destreza motora, como andar de bicicleta ou a abertura de um frasco, e parecem
se mover sem jeito ou sentirem-se "desconfortáveis em sua própria
pele". Assim, podem ser mal coordenados, uma postura errada ou incomum, má
caligrafia, ou problemas com a integração visual-motora. Também, possivelmente
apresentam problemas com a propriocepção, além de apresentarem dispraxia, como
equilíbrio, marcha tandem, e a justaposição do dedo polegar. Não há evidências
de que estes problemas de motricidade diferem os portadores de Asperger com autistas
de alto funcionamento.
As crianças são mais
propensas a terem problemas de sono, como dificuldade para dormir, frequente
insônia no meio da noite, e acordar cedo. A síndrome também está associada a
altos níveis de alexitimia, que é a dificuldade em identificar e descrever as
próprias emoções. Apesar de na SA a qualidade do sono ser menor, e também
existir alexitimia, não há relação direta entre os dois sintomas.
Sociedade
e cultura
Indivíduos portadores da
Síndrome de Asperger geralmente se intitulam como aspies (um termo usado pela
primeira vez numa publicação por Liane Holliday Willey, em 1999).89 O termo
neurotípico (muitas vezes abreviado para NT) descreve uma pessoa cujo
desenvolvimento e o estado neurológico é típico, além de denominar pessoas nas
quais não são autistas. A internet permitiu que os indivíduos autistas se
comuniquem e comemorem a diversidade entre si de uma forma na qual não era
possível anteriormente devido à sua raridade e dispersão geográfica. Com isso,
hoje existe uma subcultura dos aspies. Sites e redes sociais, como o Wrong
Planet fizeram com que pessoas com SA se conectassem.
Pessoas autistas têm
defendido uma mudança na percepção dos transtornos do espectro autista como
síndromes complexas ao invés de simplesmente doenças que devem ser curadas. Os
defensores desta visão rejeitam a noção de que há uma configuração do cérebro
"ideal" e que qualquer desvio desta norma seja patológica. Assim,
promovem a tolerância e a ideia de neurodiversidade, que, de certa forma
torna-se um pilar para os direitos dos portadores da síndrome e movimentos do orgulho
autista. Em contrapartida, enquanto muitos indivíduos aspies possuem orgulho de
sua identidade e não desejam ser curados, muitos pais de portadores da SA
procuram assistência médica para seus filhos, na busca de uma cura.
Alguns pesquisadores têm
argumentado que a Asperger deveria ser vista como uma forma cognitiva distinta,
não um distúrbio ou deficiência, e deveria ser removida do Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos, assim como a homossexualidade. Em um estudo de
2002, Simon Baron-Cohen escreveu que portadores da Síndrome de Asperger não são
beneficiados socialmente por serem tão atentos aos detalhes, mas que no campo
profissional, principalmente na área de ciências exatas, um olhar detalhista
favorece os autistas ao sucesso, em vez do fracasso. Cohen acredita que existem
dois motivos pelos quais ainda valha a pena considerar Asperger como uma
deficiência: para garantir o apoio emocional garantido por lei e de assegurar o
reconhecimento das dificuldades de empatia que apresentam. Além disso,
argumenta que possivelmente há genes associado às habilidades da síndrome em
atuação na evolução humana, deixando contribuições notáveis na história da
humanidade.
O vídeo abaixo é do youtube e tem seus créditos e direitos no próprio video
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Fonte: wikipedia.org
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